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Uma história ai. Pt9

março 27, 2013

Maicon ficou envergonhado ao ouvir a pergunta e ficou sem reação. Sabia de suas atitudes nos dias anteriores.
– Eu me sinto envergonhado por ter sido o pior vizinho do prédio. Por ter sido tão arrogante. Por ter vivido apenas para a minha vaidade. Mas eu sou um cara que sofreu tanto por nunca ter o que os outros tinha, sabe? Eu estudei na melhor universidade do país onde meus colegas vinham de berço de ouro, vestiam roupa de marca e tinham carro importado, acho que acabei me corrompendo e esqueci de onde eu vim, um lar com uma mãe e um pai trabalhadores. Tempos difíceis.
Maria ficou ouvindo atentamente cada palavra daquele rapaz, cada palavra de desabafo, de justificativa e auto-conhecimento. Ela percebera que ele estava se auto-reconhecendo, se é que existe tal termo.
– Hoje em dia o dinheiro não é problema para mim, posso ter tudo que eu sempre vi meus amigos de faculdade tendo. Posso comprar carro, casa, deixar meus pais confortáveis. Mas… ainda assim parece que não sou eu. E hoje, me lembrei de quem eu sou, pelo menos, de quem eu costumava ser.
Maria permanecia o observando, não disse uma palavra.
– Maria, você é uma pessoa tão simples. Percebi o quanto todos no prédio gostam de você. A forma que você trata os cães. Você tem paixão pelo que faz. Eu queria poder ser assim, também. Mas acabei por me transformar em alguém que eu mesmo não reconheço. Eu sempre fui um cara que ajudava a todos e hoje, sou o cara mais chato do mundo.
– Bom, eu não acho você chato.
Maicon que havia deitado a cabeça na mesa voltou a olhar para Maria, perplexo!
-Agora você não é chato, até ontem você era!
E os dois riram.
– Bom, Maicon, meu turno termina aqui. Vamos embora descansar?
Não houve mais diálogo, Maria fechou seu Lava cão e gato e os dois caminharam para casa. A noite tinha um vento morno que trazia um cheiro de flores noturnas, latidos de cães e de comida. Entraram no hall do condomínio onde pararam para uma prosa de leve com os amigos porteiros e seguranças. Seguiram para o elevador e mais um papo descontraído com alguns vizinhos idosos. Maicon apertou os botões dos andares e naquele burbúrio de vozes continuaram a subir. Pouco a pouco o elevador esvaziou. Maria desceu em seu andar, voltando-se para Maicon disse um Boa noite, fechando a porta. Maicon bateu com a cara no painel de botões e subiu para seu andar.

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