Archive for the ‘Apenas algo para ler!’ Category

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Uma história ai. p10

março 28, 2013

Maria estava cansada. Nem queria relembrar do dia! Ficou concentrada em tomar seus remédios para dor nas costas e tomar um banho. Diferente de todo resto da casa, seu quarto era cheio de coisas. Uma cama bem grande e gostosa, cheia de edredons e almofadas. Nos criad0s-mudo, lâmpadas, livros, seus óculos, telefone, uma caixa de lenço e um cofrinho de gesso. No chão, tapetes felpudos e uma pantufa de pelúcia. Uma poltrona massageadora no canto com uma lâmpada elegante. Fotografias pelas paredes em paspatur. Uma porta levava a um closet imenso com divisórias para calças, camisetas, sapatos, acessórios, espelhos, luzes estratégicas, perfumes, cremes.  O banheiro da suíte ficava escondido, mas igualmente pomposo: Uma banheira, um chuveiro e uma pia de princesa.
Seu banho era sagrado, afinal, dar banho em cachorros dá uma canseira e enche de pelo todos os cantinhos do corpo. Maria era metódica, entrava no chuveiro para lavar-se com sabonete, lavava seus cabelos, passava um creme e enfiava uma touca metálica na cabeça, lavava seus pés e mãos com uima escova macia, em seguida enchia a banheira e deitava-se na água cristalina por um tempo…. fechava os olhos, colocava uma toalha no rosto e recostava com outra toalha na nuca. Quando estava satisfeita, ligava a massagem e colocava um sal de banho para relaxar mais e enxaguava o cabelo até o creme sair.
Depois que não sentia mais cansaço, levantava, colocava seu roupão, vestia suas pantufas, enrolava seus cabelos com a toalha e ia se vestir. Escolhia de sua coleção de calças de moleton a mais cheirosa, uma camiseta de algodão macia, se vestia. Sua rotina mudava, as vezes ela deitava e dormia direto, outras, lia um livro em sua poltrona massageadora, outras, como hoje, ia assistir televisão.
Maria ligou a tv e ficou na sua solidão. De fora, viam apenas o brilho da tv ligada. Ficou entretida com um programa sobre animais e até gritou quando a campainha tocou – Está aberta, entra! E continuou vendo seu programa. -Olá, quer jantar comigo? Maria se assustou novamente, pois pensou que era o filho de seus vizinhos que sempre vinha à sua casa para brincar com ela. Num pulo já estava em pé no meio da sala. – Maicon? Oi, não achei que fosse você!
– Desculpa, é que eu pedi uma pizza e não quis comer sozinho, decidi dividir contigo.
Maria, que estava com a boca aberta e perplexa, de repente, começou a sorrir. – Vamos fazer um pic-nic aqui na sala, vou pegar guardanapos e um refrigerante, sente-se!

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Uma história ai. Pt9

março 27, 2013

Maicon ficou envergonhado ao ouvir a pergunta e ficou sem reação. Sabia de suas atitudes nos dias anteriores.
– Eu me sinto envergonhado por ter sido o pior vizinho do prédio. Por ter sido tão arrogante. Por ter vivido apenas para a minha vaidade. Mas eu sou um cara que sofreu tanto por nunca ter o que os outros tinha, sabe? Eu estudei na melhor universidade do país onde meus colegas vinham de berço de ouro, vestiam roupa de marca e tinham carro importado, acho que acabei me corrompendo e esqueci de onde eu vim, um lar com uma mãe e um pai trabalhadores. Tempos difíceis.
Maria ficou ouvindo atentamente cada palavra daquele rapaz, cada palavra de desabafo, de justificativa e auto-conhecimento. Ela percebera que ele estava se auto-reconhecendo, se é que existe tal termo.
– Hoje em dia o dinheiro não é problema para mim, posso ter tudo que eu sempre vi meus amigos de faculdade tendo. Posso comprar carro, casa, deixar meus pais confortáveis. Mas… ainda assim parece que não sou eu. E hoje, me lembrei de quem eu sou, pelo menos, de quem eu costumava ser.
Maria permanecia o observando, não disse uma palavra.
– Maria, você é uma pessoa tão simples. Percebi o quanto todos no prédio gostam de você. A forma que você trata os cães. Você tem paixão pelo que faz. Eu queria poder ser assim, também. Mas acabei por me transformar em alguém que eu mesmo não reconheço. Eu sempre fui um cara que ajudava a todos e hoje, sou o cara mais chato do mundo.
– Bom, eu não acho você chato.
Maicon que havia deitado a cabeça na mesa voltou a olhar para Maria, perplexo!
-Agora você não é chato, até ontem você era!
E os dois riram.
– Bom, Maicon, meu turno termina aqui. Vamos embora descansar?
Não houve mais diálogo, Maria fechou seu Lava cão e gato e os dois caminharam para casa. A noite tinha um vento morno que trazia um cheiro de flores noturnas, latidos de cães e de comida. Entraram no hall do condomínio onde pararam para uma prosa de leve com os amigos porteiros e seguranças. Seguiram para o elevador e mais um papo descontraído com alguns vizinhos idosos. Maicon apertou os botões dos andares e naquele burbúrio de vozes continuaram a subir. Pouco a pouco o elevador esvaziou. Maria desceu em seu andar, voltando-se para Maicon disse um Boa noite, fechando a porta. Maicon bateu com a cara no painel de botões e subiu para seu andar.

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Uma história ai. Pt8

março 26, 2013

Maria parecia em outra dimensão e Maicon ficava cada vez mais hipnotizado com ela. Sem piscar ela continuava com seu trabalho. Quando terminou de tosar o leãozinho ela se volta para Maicon e pergunta: Ficou bom? Maicon engasgou, porque ele não imaginava que ela falaria com ele, até sentiu invisível.
– O cão está lindo! Respondeu.
Com a finalização de todos os cães, Maria estava cansada e satisfeita, o encarou e perguntou, vamos almoçar?
Maicon aceitou de cara o convite, estava faminto. Então, Maria ligou para um restaurante local e pediu o almoço e logo foi se tratando de aspirar os pelos das roupas, quando chamou seu novo ajudante.
-Venha cá, deixe-me te aspirar, está todo peludo. E já foi puxando o rapaz pelo braço e passando o bico do aspirador no peito de Maicon. Ele era bem mais alto do que ela, que permanecia ali, rindo e falando algo que ele nem prestava atenção, ele estava apenas sentindo os toques das mãos dela sobre seu corpo… de vez em quando ele falava algo para despistar sua “taradisse” dos pensamentos. Enquanto isso Maria sentia o corpo do rapaz com as mãos e para disfarçar seu nervosismo começou a contar uma piada.
Depois da limpeza, ela o conduziu até uma porta que, até então só estava fechada. Era uma sala particular que ocupava uma parte bem ilumiada do Lava cão e gato. Tinha um sofá cheio de almofadas, uma televisão, um computador, uma mesa com quatro cadeiras, um fogão, uma pia, uma geladeira e um armário. Tinha também outra porta que parecia ser o banheiro e uma janela grande que dava a um quintal gramado. Maicon entendeu o porque da casa de Maria não ter muitos móveis.
-Fique á vontade, tem refri na geladeira, hoje é dia de comer fora.
-Você almoça aqui todos os dias?
-Sim, geralmente cozinho algo, mas hoje é uma ocasião especial, tenho visitas.
E logo tratou de pôr a mesa e ligou o som.
O rapaz quase nem percebeu de como fluiu o dia. Almoçaram conversando muito, sem constrangimento, como se conhecessem há anos. Falavam de música, comida, filmes, preferências pessoais quanto viagens. Mesmo voltando ao trabalho na entrega dos cães aos donos, surgiam outros cães para serem lavados de ultima hora. Maicon estava exausto no fim do dia.
-Toma um café comigo?
E voltaram os dois para aquele anexo, Maria passava um café cheiroso e o sol que entrava pela janela deixava tudo muito alaranjado e confortável. Maicon sentado à mesa, de repente, se mudou para uma outra dimensão. Lembrou-se de sua avó servindo o café e dizendo a ele: Um dia, meu filho, se você encontrar alguém que faz um belo café e assa um belo bolo de fubá, case-se com ela! Maria voltou-se para Maicon e riu, – Faz tempo que não vê o pôr-do-sol? Colocando a garrafa em cima da mesa lembrou-se do bolo que ela tinha na geladeira – Você gosta de bolo de fubá? É coisa de caipira! Se você quiser tem pão, requeijão, queijo e mais um monte de coisa de que gente da cidade gosta. Maicon arregalou os olhos e repetiu, -Bolo de fubá?
-Sim, você gosta? Eu quem fiz. Recheado com goiabada e erva-doce. Pena que eu esqueci na geladeira, gosto de comer quentinho.
E a noite começou com os dois papeando e comendo bolo com café preto. Maria percebeu o quanto aquele homem era acessível e simples, até esquecera de toda pompa que ele ostentava e perguntou: – Porque você está aqui?

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Uma história ai. pt7

março 22, 2013

Maria já perdeu todo seu pensamento e passou a se concentrar no cachorro que lhe daria muito trabalho. Ela passou o sabão, nos pelos do cão, e com a escova, tirava todo o sebo. Com o sabão líquido e usando as mãos, massageava a pele do animal e retirava o resto do sebo que fica de vestígio. Enxaguando com muita água pegou o shampoo e fez do cão, uma bela escultura de espuma o que significava que os pêlos estavam bem limpos. Passou a água morna e retirou toda aquela nuvem de espuma cheirosa.
Enquanto isso, Maicon já havia secado o cão de pêlos negros. Outrora viu que Maria colocou o cãozinho nas jaulas e repetiu seu ato. E voltou a observa-la. Maria estava a secar o pequeno leão, Maicon, a essa hora percebeu que ela esqueceu dele dentro daquela casa. Maria secava o cão e o encarava em silêncio. Concentrada totalmente no trabalho, Maria passava o cano do soprador seguindo a direção dos pêlos do animal. Em seguida, ligou o secador deixando um barulho ensurdecedor que dominou a casa. Mas Maria permanecia alí, naquele   transe encarando o animal. O cão parecia confiar nela totalmente, era incrível o dom que ela tinha em fazer todo aquele movimento sem perder o padrão da calma.
O mais incrível era que ela levou bem menos tempo do que Maicon para secar um cão com o triplo de pêlos do que ele havia secado. Sem mais tardar, Maria puxou uma bancadinha cheia de gavetas e retirou uma bolsinha preta. De lá tirou uma tesoura que parecia ser muito afiada. Segurou o fuço do leãozinho e passou a cortar-lhe os pêlos da cabeça com tamanha precisão que o cão mudou de ares na hora. Parecia uma artista, espremia os olhos para verificar se estava de acordo com o que ela queria. Maicon estava hipnotizado com os movimentos dela.
Maria estava em outra dimensão, em seguida pegou uma pinça gigante e um pote cheio de algodão. Pinçou um chumaço de algodão e passou a enrolar na pinça e enfiou nas orelhas do animal para limpar. Maicon estava ali, parado na porta que dava acesso à área de banho observando com muito cuidado e atenção a habilidosa Maria.

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Uma história aí. pt6

março 21, 2013

Maria pegou o pequeno chiuaua e foi seca-lo, mas desta vez ficou de frente olhando seu aprendiz. Ela observava aquele homem ensopado e não deixou de reparar na camiseta escura grudando nas costas dele. Revelando alguns músculos trabalhados á muita malhação e personal trainner. E passou a discutir sozinha em sua mente: O que ele está fazendo aqui? O que ele quer? Quem ele é? Será que eu tento dar uma cantada nele?
O Chiuaua estava sequinho e Maria o colocou em uma das jaulinhas que ficava em outra sala e quando voltou Maicon estava com o vira-latas gigante nos braços, pronto para colocar em cima da mesa de secagem quando a campainha tocou e uma senhora apareceu com um ChowChow, implorando  para que Maria o lavasse. Maria aceitou o cão, fazendo a senhora agradecer repetidamente pela bondade de Maria. Ainda havia muito trabalho! Maria então deu as instruções para que Maicon secasse o animal e foi banhar o pequeno Leão. Enquanto ela estava de costas para Maicon, ele passou a observa-la e a discutir sozinho em sua mente: Porque eu nunca fiz isso antes? Porque eu nunca pensei em fazer amizade com ela? Será que se eu falar algo ela vai perceber que eu estou tentando passar uma cantada?
Maria estava entretida no banho do cão e não percebeu que seu aprendiz estava a comendo com os olhos. Maicon segurava o cano do soprador com firmeza, montou um padrão de movimento para que pudesse fazer as duas coisas ao mesmo tempo: Secar o cão e disfarçar que observava cada pedacinho de pele exposto de Maria.

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Uma historia ai 5p.

outubro 12, 2011

Maicon abriu a porta e chamou o cao, que veio e foi ate a banheira. Maicon pegou o cao no colo e colocou na banheira, ligou a agua e molhou  cao… um perfeito desastre. O cao comecou a chacoalhar a cabeca e a espirrar espalhando agua para todos os lados. Maria estava muito entretida na secagem do poodle com todo aquele barulho do secador nem reparou o apuro que o grande homem estava passando com o pequeno cachorro. Maicon desligou a agua e pegou o sabao em pedra que era quase do tamanho do chiuaua, e comecou a passar pelo cao que comecou a tremer e a chorar baixinho. Maicon passava o sabao com gosto no pobre cachorro que chorava com lagrimas e tudo. Logo depois passou a esfregar o pequenino com a escova, igualmente ao sabao, do tamanho do cao. E comecou a conversar com o cachorro: Entao pequeno, ta fedido ne?? Vou te deixar bem limpinho!
Maicon aprendeu direitinho como esfregao o caozinho, estava fazendo da mesma maneira que vira Maria fazer. Quando Maicon foi enxaguar o cao o bicho deu um grito e foi ai que ele percebeu que a agua estava saindo vermelha do cachorro e gritou tambem!
Maria pode ouvir os berros e se assustou, desligou o secador e foi ver o que acontecia! Ao se deparar com todo aquele cenario comecou a rir!
Maicon abracando o cachorrinho, ambos, molhados ate a cueca, tremendo de assustados. Maria pos ordem na casa. Orientou passo a passo o processo do banho e voltou a cuidar do poodle, mas dessa vez sempre olhando para o novato.
Maicon refez o primeiro banho, agora, com o algodao protegendo os ouvidos do pequeno cao,  usando o sabao do tamanho correto, passou a adorar o contato com o animal que ate parou de tremer!
Maicon ficou, dessa vez, em silencio banhando o cao. Preocupado com o toque, com a higiene, com a leveza da agua morna escorrendo pelo pelo do bichinho. O silencio voltou a reinar na pequena casa onde funcionava o Lava cao e gato!
Quando Maicon percebeu ja estava lavando o Vira-latas gigante e peludo, fazia, claro, ainda muitas navalhadas, porem, dessa vez sentia mais seguro, ao menos aprendeu a lavar o cao! Maria havia terminado o poodle e estava observando o rapaz entretido com o vira-latas. Claro, as navalhadas, Maicon deixou o chiuaua ensopado em cima da bancada!

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Uma história ai 4p.

outubro 6, 2011

Quando Maria abriu o cadeado do portão, não esperou que Maicon se manifestasse, foi logo entrando na loja. Maicon veio logo atrás observando todo o ponto comercial quando sai de dentro de um portão três cães, Dois gigantes e um pequenino. Mas ao chegar á porta principal de acesso á loja ela parou. Alí, pensou ela, ela iria destruir a alma daquele playboyzinho de uma figa! Quem ele pensa que é? Quatro anos infernizando a sua vida e agora está alí a seguindo feito um poodle de madame! Maria colocou a chave na porta e virou para trás repentinamente.
Mas quando ela virou não tinha percebido que o cara estava alí, e sim brincando com os cães pela grade. Ela nunca vira aqueles animais tão quietinhos e abanando as caudas frenticamente como se estivesses dizendo: Oi, muito prazer!!!!
Maria enguliu todo o discurso que iria falar à aquele homem e o convidou a entrar!
– Esses cães são teus?
-Não, eles dormiram aqui porque os donos foram viajar, estão hospedados aqui, vou dar banho neles pois até meio-dia os donos chegarão!
-Uau, é que nem hotel de verdade? A diária vence ao meio-dia?
Perplexa Maria apenas fez sim com a cabeça, como pode aquele homem ficar tão empolgado com isso! Foi alí que ela percebeu, que detrás daquele playboyzinho de uma figa, existe um cara inocente!
– Bom Sr. Maicon, eu preciso começar a trabalhar, se quizer ver através do vidro fique á vontade e…
-Posso te ajudar?
Mais uma vez Maria ficou calada e surpreendeu-se com o jeito molequinho daquele homem!
– Pode, claro, mas… você vai se sujar bastante, pois hpje é dia de tosa do poodle gigante que está alí fora!
-Não ligue… só quero ajudar!
Maria seguiu perplexa e abriu a porta dos fundos, chamou o cão que veio sem enrrolar e já foi subindo pela escadinha até a banheira! Maicon ficou extasiado! Observava cada movimento de Maria: Ligar a água, checar a temperatura, ensaboar o cão… e tudo no maior silêncio!
Maicon sentia-se, amedrontado em puxar assunto. Seguia calado! Maria estava entretida no trabalho que nem percebeu Maicon, que apesar de calado, estava inquieto!
Maria lavou o poodle 3 vezes, sabão em barra, sabão líquido e shampoo, pegou a toalha e passou no cão, logo, ao terminar, o cão saiu da banheira pela mesma escadinha e esperou ao lado da mesa de tosa. Maria encarou Maicon e falou apenas: Vá buscar o chiuaua!